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Empresas médias e familiares e os Desafios da Governança

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Empresas médias e familiares e os Desafios da Governança

julho 5, 2022

A Governança Corporativa

O tema Governança começa a entrar em evidência desde a década de 40 com os movimentos de crescimento das organizações, seu poder e impacto na sociedade, consolidações e processo de diluição do capital com as sucessões geracionais, aberturas de capital e dispersão da propriedade. 

No final da década de 70, estudos apontavam que o crescente poder de decisão e autonomia de altos executivos que passaram a assumir a liderança dessas empresas, desencadearam os chamados “conflitos de agências”, executivos e conselheiros contratados pelos acionistas tenderiam a agir em interesse próprio em detrimento aos interesses da empresa, acionistas e demais partes interessadas.

Foram propostas medidas que incluíam práticas de monitoramento, controle e ampla divulgação de informações. A este conjunto de práticas convencionou-se chamar de Governança Corporativa, que ganha força a partir de 1990 e atingem seu auge com os escândalos da Enron e WorldCom no início dos anos 2000 nos Estados Unidos.

A realidade das PME’s

A pelo menos 20 anos temos atendido PME’s e Empresas Familiares em sua jornada de crescimento, sucessão e profissionalização da gestão, mas nos últimos 10 anos podemos afirmar que o conceito e “cultura” de governança vem ganhando mais atenção e espaço na agenda deste público, que até então entendia governança como matéria somente para empresas de grande porte.

Os desafios da sucessão, o cenário altamente competitivo, a necessidade de acesso ao capital para fomentar o crescimento, aumento da complexidade operacional, perfil de risco e a demanda de conexão com um ecossistema cada vez mais diverso exige dessas empresas um nível de organização, disciplina e gestão muitas vezes comparado às práticas de empresas de grande porte.

Entretanto esse nível de maturidade não se atinge do dia para a noite, é uma jornada que começa com a sensibilização sobre os riscos e o que se deseja sobre o futuro da empresa e a decisão dar os passos essenciais para criar as medidas de controle e proteção do negócio. O que encontramos muitas das vezes é uma falsa sensação de estabilidade e “zona de conforto” que pode durar anos, uma inércia que pode comprometer a longevidade dessas empresas. O importante é agir antecipadamente começando por uma profunda reflexão sobre o futuro.

Do ponto de vista da Governança Corporativa, nosso entendimento é que o segredo para uma PME é começar pequeno e fazer bem-feito. De forma geral, uma empresa pequena ou média não precisa de um modelo de governança de uma S/A de capital aberto, mas boas práticas e regras que levem ao ganho de maturidade em controles, monitoramento, rotina de prestação de contas e capacitação dos envolvidos para entenderem a importância de seus papeis e a aderência da “cultura” de governança.

O crescente movimento do tema ESG vem, felizmente, incentivando as empresas a aprimorarem suas práticas de governança.

Clique aqui e confira o vídeo com este conteúdo sobre governança!

Famílias Empresárias e as Empresas Familiares

No caso das empresas nas quais a família se encontra presente no ambiente de gestão ou influenciam no processo de tomada de decisões, o tema governança ganha outros ingredientes de complexidade.

O Modelo dos Três Círculos do Sistema de Empresa Familiar desenvolvido por Renato Tagiuri e John Davis na Harvard Business School, entre o final da década de 70 e início dos anos 80 apontava para a influência e impactos dos estágios de vida da família nos empreendimentos familiares. 

Esse modelo é a base até os dias de hoje para avaliarmos e adotarmos práticas a serem implantadas para o equilíbrio dessas 3 dimensões.

Quando somos consultados para atuar na dimensão da governança corporativa para implantar um conselho consultivo, conselho de administração, estruturar o processo de tomada de decisões, implantar comitês e capacitar os conselheiros, também diagnosticamos as dimensões da governança da família e governança patrimonial (jurídica) que são igualmente importantes e nem sempre são consideradas na mesma pauta de evolução do modelo de governança.

Questões como a estratégia da família para o futuro, desenvolvimento das futuras gerações, decisões sobre sucessão e manutenção da história e legado da família são temas extremamente relevantes no contexto da governança da família. Por outro lado, o modelo societário, acordo de sócios, estrutura de capital e proteção patrimonial são temas que merecem atenção na dimensão da governança da propriedade e patrimônio.

Essas 3 dimensões devem estar equilibradas em algum momento do estágio da vida das famílias e das empresas familiares a fim de mitigar os riscos de conflitos e confrontos que podem afetar a harmonia e a longevidade dos negócios.

Como fomentar o tema Governança dentro das empresas?

Essas 3 dimensões devem estar equilibradas em algum momento do estágio da vida das famílias e das empresas familiares a fim de mitigar os riscos de conflitos e confrontos que podem afetar a harmonia e a longevidade dos negócios.

Na fase I, apoiamos as empresas, famílias e acionistas a diagnosticar o atual cenário de maturidade destas dimensões, em seguida preparamos um plano de evolução da estrutura e modelo de governança apontando a trilha que deverá ser perseguida pelos indivíduos e pela empresa com olhar para o médio prazo. A partir deste ponto atuamos implantando as boas práticas e capacitando os envolvidos ao longo de todo este processo de evolução.

Mas sem dúvida nenhuma, é fundamental que haja um processo de abertura para o debate, assimilar conceitos e compreender a importância destas práticas para preservação das relações e dos negócios.

Para levarmos o tema de Governança para dentro das organizações, é preciso entender o ciclo de vida da empresa e da própria família. Esses dois ciclos precisam estar integrados, por isso é importante que a família empresária saiba seu lugar dentro do negócio. Após o diagnóstico, conseguimos identificar alguns caminhos para solucionar os problemas que a empresa enfrenta.

Este caminho pode ser através de um trabalho de consultoria, caso haja uma questão específica e latente de governança que mereça um tratamento especial e que precisa ser resolvido de forma imediata para que a empresa consiga pensar no futuro. Outra opção é investir em programas de capacitação e desenvolvimento, como os da Fundação Dom Cabral, que têm como objetivo preparar e capacitar líderes e herdeiros nas temáticas que envolvem governança e sucessão.

A Confidence-FDC apoia empresas na escolha dos melhores caminhos e métodos para desenvolvimento e implantação da estrutura de governança corporativa e da família, oferecendo um diagnóstico completo e soluções eficientes em consultoria e educação.

Entenda mais sobre como podemos te ajudar em: https://confidenceconsultoria.com.br/governanca-corporativa/


Fabio Martins é Sócio-fundador da Confidence Governança e Gestão Associada à Fundação Dom Cabral.




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